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05/01/2018 09:59 • Notícias
Alertas de Mercado: Algodão, Arroz, Boi, Café e Trigo

Algodão

Os preços do Algodão devem ser sustentados neste ano, visto que parte da safra 2016/17 já foi comprometida em contratos (devendo ser exportada no 1° semestre de 2018), e também devido às expectativas de recuperação do consumo nacional e de valorização do dólar frente ao Real. Segundo dados da equipe de custos agrícolas do Cepea, em Mato Grosso, a compra de insumos e a venda antecipada da pluma em 2017 (para entrega no 2° semestre de 2018) apontam que a receita total deve superar os custos em cerca de 10%.

No entanto, segundo pesquisadores do Cepea, o maior volume produzido deve elevar o excedente doméstico, o que pode limitar fortes reações de preços. Espera-se colheita de 1,69 milhão de toneladas na temporada 2017/18, 9,1% maior que na temporada anterior, conforme dados da Conab. A esta oferta, adicionam-se 395,8 mil toneladas de estoque inicial em janeiro/18 e 15 mil toneladas de importação, gerando disponibilidade interna de 2,1 milhões de toneladas.

O consumo previsto para 2018 é de 720 mil toneladas, 4,3% maior que no ano anterior. Assim, o excedente interno é estimado em 1,38 milhão de toneladas, que podem ser exportadas. Em 2018, ainda conforme a Conab, o Brasil deve embarcar 960 mil toneladas de Algodão, alta de 40% frente à safra 2016/17. Com isso, o estoque em dezembro/18 poderá ser de quase 421 mil toneladas.

Arroz

Após recuarem expressivamente em 2017, os preços do arroz em casca podem se recuperar neste ano. Segundo pesquisadores do Cepea, a possível melhora da economia em 2018 e a competitividade do cereal na cesta básica podem alavancar o consumo interno, estimado pela Conab em 12 milhões de toneladas (o maior desde 2012/13), o que reduziria os estoques de passagem.

O ano safra 2017/18 deve começar em mar/18 com 1,5 milhão de toneladas em estoque, e a Conab estima importações de 1 milhão de toneladas entre mar/18 e fev/19. Desta forma, a disponibilidade interna deve superar 14 milhões de toneladas, ultrapassando os números da temporada 2016/17.

Mesmo assim, a relação estoque/consumo deve diminuir. Se confirmada a expectativa de desvalorização do Real frente ao dólar em 2018, as vendas externas de arroz podem crescer, escoando parte da produção nacional. Assim, para 2018, é de se esperar que o preço médio do arroz em casca recupere parte das perdas ocorridas ao longo de 2017.

Boi

Após um ano turbulento, o setor pecuário inicia 2018 mais otimista, porém, bastante atento. Conforme pesquisadores do Cepea, espera-se um cenário economicamente favorável neste ano, tanto na esfera internacional como na nacional, que pode beneficiar toda a cadeia da carne bovina.

No Brasil, a economia pode se recuperar, pautada na diminuição da taxa de juros, no controle da inflação, na relativa estabilidade do câmbio, na redução do índice de desemprego e na melhoria do PIB (Produto Interno Bruto). Esse contexto favorece o aumento do consumo geral da população.

Com uma projeção de crescimento do PIB nacional em torno de 2,7% (estimativa do Banco Central no encerramento de 2017), o Cepea calcula que pode haver aumento de 2,2% no consumo interno de carne bovina.

As projeções otimistas, contudo, podem ser afetadas por fatores que hoje ainda estão incertos, requerendo, portanto, cautela e também ações de operadores do setor pecuário.

Café

O clima favorável ao desenvolvimento da safra 2018/19 no Brasil e a bienalidade positiva dos cafezais devem resultar em produção semelhante - ou até mesmo superior - à da temporada 2016/17, conforme pesquisadores do Cepea. Nesse cenário, os preços internos e externos do café podem ser pressionados em 2018.

Quanto à safra 2017/18, ainda em andamento, apesar da menor oferta no Brasil devido à bienalidade negativa, à broca e à menor peneira dos grãos, a disponibilidade deve ser maior nos principais países produtores de arábica e robusta.

Por outro lado, os estoques mundiais devem ser menores, uma vez que o consumo deve seguir firme, cenário que pode limitar as possíveis quedas nos preços ao longo de 2018.

Trigo

As produções de grãos e cereais atingiram volumes recordes, pelo menos nos últimos dois anos, favorecidas pelo clima. Assim, os estoques de grãos seguem em volumes bem satisfatórios. No caso do trigo, a relação estoque/consumo está no maior nível desde a safra 1999/2000, segundo dados do USDA.

Nesse ambiente, conforme pesquisadores do Cepea, os preços não devem subir em 2018. Compradores e consumidores são favorecidos por esse cenário, mas a rentabilidade de produtores segue sendo pressionada.

Neste ano, a liquidez deve ser influenciada pelos amplos estoques de moinhos, pelas importações e pelo dólar. Quanto à área a ser plantada em 2018, a concorrência com o milho segunda safra continuará sendo fator de impacto, principalmente no Paraná, em Mato Grosso do Sul e no Sudeste.

Nos estados Sul, especialmente no sul do Paraná, produtores buscam outras alternativas de culturas de inverno, em detrimento do trigo.

 

Fonte: Ruralpecuaria