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07/12/2017 14:49 • Notícias
Abrapa prevê aumento de 20% no plantio de algodão na safra 2017/2018

A área plantada com Algodão no Brasil deve aumentar em torno de 20% na safra 2017/2018, passando de 935 mil para 1,12 milhão de hectares. A estimativa é da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). Mas a cultura não deve repetir a mesma produtividade registrada na safra passada e o volume colhido deve crescer 11,3%, de 1,632 milhão para 1,817 milhão de toneladas de Algodão em pluma.

"O grande vilão é o clima. A gente não imagina um clima tão favorável quanto o da safra passada", disse, nesta segunda-feira (4/12), Arlindo Moura, presidente da Abrapa, em um encontro com jornalistas, em São Paulo (SP), considerando a possibilidade de uma revisão desses números nos próximos dias.

Ainda assim, a estimativa da Associação é superior ao crescimento da área de 15,8% previsto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que, em novembro, estimou um plantio de, no máximo, 1,087 milhão de hectares.

O plantio começa com mais da metade da produção comprometida. Segundo Moura, os preços favoreceram a antecipação das vendas. Especialmente em dois momentos: entre março e abril deste ano, quando as cotações internacionais da pluma estavam entre US$ 0,78 e US$ 0,79 por libra-peso, e nos últimos dez a 15 dias, com Algodão entre US$ 0,72 e US$ 0,73 por libra.

"O preço está bem favorável. Um conjunto de fatores que fez o preço ficar mais alto. Houve comentários sobre a safra americana não ser tão boa", disse. Na Terra Santa Agro, empresa da qual ele é CEO e que atua no mercado de commodities agrícolas, o nível de comprometimento da produção futura está em 78% do previsto.

O Brasil é, atualmente, o quinto maior produtor e quarto maior exportador mundial de Algodão. Atrás de Índia e China - que dominam metade da produção global - Estados Unidos e Paquistão, compõe um grupo de dez países que, juntos, produzem 90% do Algodão ofertado no mundo.

No mercado interno, a cotonicultura brasileira tem enfrentado forte concorrência com as fibras sintéticas, principalmente por causa da importação de produtos têxteis. A Abrapa tenta promover o consumo interno e a aplicação do produto no vestuário com a campanha "Sou de Algodão".

Mas o mercado internacional tem sido fundamental para o setor e deve continuar na safra 2017/2018. Na avaliação da entidade, todo o aumento de produção previsto deve ser absorvido por outros países. No geral, entre 60% e 63% do volume a ser colhido no ano que vem devem ser embarcados nos portos brasileiros.

Para Arlindo Moura, o Brasil tem potencial de chegar a 2 milhões de hectares plantados com Algodão em cinco anos, pela maior qualificação dos produtores e melhoria da qualidade da pluma. Segundo ele, Estados que já foram relevantes ensaiam retomar a produção.

"O produtor é qualificado, o Algodão brasileiro tem qualidade. Há espaço para chegar aos dois milhões de hectares. Temos que dobrar a área para atender melhor os nossos clientes", disse Moura.

Estudo

Durante o encontro, o professor da Universidade de São Paulo (USP) e sócio da consultoria Markestrat, Marcos Fava Neves, apresentou um estudo que mapeou a cadeia produtiva do Algodão. Segundo o levantamento, na safra passada, o setor registrou movimentação financeira de US$ 135,4 bilhões, considerando uma taxa de câmbio de R$ 3,22.

No que chamou de "antes da fazenda", a movimentação financeira foi de US$ 1,34 bilhão. A maior parte (34,7%) foi gasta com defensivos agrícolas, um total de US$ 464,49 milhões. Em seguida, aparecem fertilizantes (US$ 344,74 milhões ou 25,7% do total), combustível (US$ 187,75 milhões ou 14% do total) e sementes (US$ 166,92 milhões ou 12,5% do total).

"Aumentou o dispêndio com sementes porque o setor avançou em sementes geneticamente modificadas nos últimos anos", observou Fava Neves.

No que chama de elo "dentro da fazenda", o estudo calculou a movimentação financeira com as vendas da pluma e seus subprodutos. Na safra 2016/2017, a exportação de Algodão em pluma rendeu US$ 1,694 bilhão, 63,9% do total. A comercialização interna movimentou US$ 955,68 milhões. Entre os subprodutos, o caroço movimentou US$ 565,75 milhões e a fibrilha gerou uma movimentação de US$ 13,29 milhões.

A maior parte da movimentação, no entanto, está na fase que a pesquisa chama de "depois da fazenda", que totalizou US$ 130,91 bilhões. Segundo Fava Neves, esse cálculo considerou apenas a proporção de Algodão utilizada nos processos industriais.

Nas confecções, por exemplo, esse número chega a 54,6% do total. Só neste segmento, a movimentação financeira foi de US$ 40,02 bilhões, atrás apenas do varejo, com US$ 72,95 bilhões. "A cadeia de Algodão tem uma multiplicação de valores nos elos depois da fazenda", disse Fava Neves.

A fase pós-porteira contribuiu com a maior parcela do Produto Interno Bruto (PIB) da cadeia produtiva do Algodão no Brasil, estimado em US$ 74,11 bilhões.

Fonte: Revista Globo Rural